O
I Ching, ou o Livro das Mutações, teve origem
a aproximadamente 3000 anos na China. Não se sabe ao
certo se lenda ou realidade, o Imperados Fu Hsi - herói
lendário considerado o fundador dessa civilização
- teria criado os oito trigramas básicos do I Ching
e suas 64 combinações que servem como base para
sua leitura. Utilizando varetas feitas de caule de milefólio,
à princípio, durante milênios esses hexagramas
tem servido como veículo oracular de adivinhação
mas sobretudo de íntimo contato com nossa capacidade
inconsciente e sincrônica em unir eventos externos e
internos.Segundo a literatura chinesa, após Fu Hsi,
o Livro das Mutações teve outros três
compiladores que enriqueceram seu conteúdo: o Rei Wen,
que acrescentou um julgamento para cada um dos 64 hexagramas;
o Duque de Chou (filho do anterior), que incorporou os comentários
referentes às linhas mutáveis dos hexagramas;
e Confúcio, o famoso sábio, autor dos textos
relacionados à imagem e ao comentário de cada
hexagrama. Em 213 a.C, Ch’in Shih Huang Ti, um tirano
conhecido como O Grande Unificador(foi o construtor da Grande
Muralha e o unificador das províncias chinesas), ordenou
a queima de oráculo chinês todos os livros existentes,
exceto os dos arquivos imperiais, as obras de medicina e agricultura
e os livros de adivinhação. Devido a essa seleção,
o I Ching, que já era considerado um livro sagrado,
sobreviveu ao expurgo das bibliotecas e chegou até
nós. A grande maioria dos estudiosos concorda em considerar
o Livro das Mutações como uma importante fonte
das duas grandes correntes do pensamento chinês: o taoísmo
e o confucionismo.
Confúcio, que comentou longamente o I Ching, considerava
que a idéia central do livro era o conceito de mutação,
exemplificado por uma frase que o sábio teria dito
ao observar a correnteza de um rio: “Tudo segue, fluindo,
como esse rio, sem cessar, dia e noite”. Dessa maneira,
a observação constante e profunda da natureza
sugere a idéia da mutação continua: depois
da escuridão vem a luz; o inverno é seguido
pela primavera; após a tempestade retorna a calmaria;
o dia renasce depois da noite; a lua cresce e decresce ciclicamente;
as marés alternam-se no mar. A lei universal que tudo
rege é o constante mudar. A realidade se transforma
permanentemente, e o I Ching, ao contrário de muitos
outros métodos de adivinhação, ensina
a guardar essa verdade profunda sem condicionar o nosso comportamento.
Em outras palavras, o I Ching não prevê os acontecimentos
futuros, mas indica a situação presente. Como
se penetrasse no inconsciente, os ensinamentos do livro sugerem
como enfrentar a realidade que se apresenta, explicam as fases
de desenvolvimento da ação que deve ser empreendida
e indicam o resultado dessa ação sempre que
se tenha agido de acordo com as sugestões recebidas.
Pois, na verdade, cabe à nossa sensibilidade e inteligência
perceber a mensagem que o I Ching transmite. O I Ching atravessou
os séculos até chegar ao Ocidente em fins do
século passado. No entanto, o Livro das Mutações
ainda deveria esperar até 1923 para alcançar
uma tradução à altura de seus méritos.
Nesse ano, depois de longas pesquisas, o sinólogo Richard
Wilhelm deu a conhecer sua tradução para a língua
alemã da grande obra chinesa.
O I Ching é uma das bases do Feng Shui. Utiliza-se
o conceito de trigrama e hexagrama, por exemplo, na bússola
Lo-Pan. Outra forma seria a de colocar os membros de uma família
em quartos, de acordo com a distribuição original
pois ele tem o conceito de uma família, cada pessoa
representada por um trigrama. Assim, temos o Pai e a Mãe,
e mais três filhas e três filhos. O trigrama do
Pai, por exemplo, compreende três linhas inteiras. Também
chamado O Criativo, e associado com o pai, o líder,
o homem. Seu nome chinês é Chien. Simboliza o
céu, o firmamento e a perseverança. Todos os
outros trigramas têm características próprias.
Hoje em dia o I Ching é consultado ainda com varetas
por alguns, mas existem outros meios mais rápidos que
não perdem a eficiência como antigas moedas chinesas,
cartas e outras formas.
Confúcio dizia, quando já tinha 70 anos de idade:
"Se me fossem dados mais anos de vida, dedicaria cinqüenta
deles ao estudo do I Ching, e talvez então pudesse
evitar grandes erros".
Jacqueline
Abecassis
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